sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Porque vou ao Cerco?

Dia 15 de Outubro cerco o Parlamento porque tem de ser feito não apenas algo de extraordinário mas de definitivo para que ali dentro se saiba da dor e se oiça o descontentamento que se vive cá fora, entre a população.

E não me digam para estar calmo e ser compreensivo com este assalto colossal de austeridade que troca o disparate grosseiro da TSU pelo holocausto dos aumentos do IRS.

O aumento da taxa de IRS do escalão de muitos como eu da chamada classe média é de cerca de 10%, e basicamente  resulta em quase metade de retenção do meu salário. Este indíce é apenas menos 3% dos estúpida e verdadeiramente ricos deste país. Regressamos a valores salariais de antes do ano 2000, ou seja antes do euro! Dá para pensar no que foi esta aventura europeia sob a tutela neo-liberal...

Muito mais grave é que ainda nos falam em equidade e transversalidade dos sacrificios, mas quem ganha cerca de 500 euros por mês (escalão mais baixo do IRS - até 7000 mil/ano) verá 15% do seu salário (cerca de 75 euros mensais) voar literalmente...e se a vida é já insuportável para milhares de portugueses com estes miseráveis 500 euros, ficará agora definitivamente abaixo de qualquer nível de sobrevivência.

Estamos a falar de miséria generalizada para pobres, remediados e toda a classe média: a condenação colectiva de um povo. Mas não se trata de uma mera indignação com cortes salariais, pensões ou direitos laborais e cívicos.

Se este dinheiro, que assim entrará nos cofres do Estado, fosse efectivamente para o chamado bem comum, ou seja para a saúde, educação, transportes, justiça, cultura, etc... ainda se poderia imaginar algum retorno colectivo, mas sabemos antecipadamente que essas são as justamente as áreas dos cortes brutais, do fim das deduções e comparticipações, de privatização selvagem e de  clara degradação. E tudo isto por um governo para quem os serviços públicos são alienáveis e um incómodo despesista, mas para quem a taxação da riqueza, do capital e das operações financeiras são um problema sempre muito complexo e adiável ou apenas colectados de forma simbólica. O que nos indigna verdadeiramente é a insisitência neste modelo de sociedade e no sistema em que se baseia. Porque de facto sabemos cada vez mais o que significa "bem comum" para este governo (ou o Espanhol, Italiano, Grego, Alemão...)  e para as organizações internacionais que o(s) controlam: significa a banca, as grandes multinacionais e os ricos! Os tais 1%!

SÓ UMA REVOLUÇÃO PODE PARAR ESTE(s) GOVERNO(s) E ESTAS POLÍTICAS!

E que seja de escala europeia porque é a esse nível que se pode efectivamente pensar uma alteração geral e global das apostas governativas nacionais.

Espero que nessa altura o Prémio Nobel da Paz seja justa e apropriadamente dado aos cidadãos e cidadãs desta Europa que se manifestam, protestam e constroem alternativas a este sistema  suicidário eurocrata-financeirista e de saque selvagem que tem um nome muito fácil de fixar: Capitalismo!

15 de Outubro terá de ser um protesto firme e definitivo para pôr fim a esta desgovernação geral e a esta falsa democracia. E por isso lá estarei.


Paulo Raposo

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